ESTRATÉGIAS PARA TRABALHAR AS FUNÇÕES EXECUTIVAS NO AUTISMO




AUTISMO: ESTRATÉGIAS PARA TRABALHAR AS FUNÇÕES EXECUTIVAS EM SALA DE AULA

Sabemos que qualquer um de nós, precisa ter suas “normas” de comportamento, e que isso inclui as regras, as noções de tempo que precisamos para cada tarefa, organização dentro do dia e que isto também inclui ter estratégias para que tudo saia conforme o nosso planejamento ex: post it, agendas, lembretes em celulares e para que a distração não tome o nosso tempo.

Isto tudo depende de nossas funções executivas.

E agora pense, como funciona as funções executivas em uma pessoa que possui algum Transtorno, e quando este é o Transtorno do Espectro Autista.

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) caracteriza-se como transtorno do desenvolvimento com início na primeira infância e curso evolutivo crônico.

Conforme a quinta edição do Manual (DSM-5), os critérios diagnósticos para o TEA englobam os comprometimentos qualitativos nos domínios da interação/comunicação social e padrões comportamentais.

Funções executivas (FE) são funções reguladoras do comportamento humano, funções necessárias para formular metas e planejar como alcançá-las.

São todas as atividades mentais autodirigidas que ajudam uma pessoa a resistir a distração, solucionar problemas internos e externos e criação de estratégias para alcançar um objetivo.

Apesar das pesquisas não apresentarem evidências consensuais de que prejuízos nas funções executivas estariam relacionadas ao Transtorno do Espectro Autista, elas apontam que alterações em funções executivas estão presentes com frequência em indivíduos com o diagnóstico e são predatórias do funcionamento adaptativo do indivíduo.

Muitos alunos têm problemas com o funcionamento executivo, em especial os com autismo e TDAH.

As principais funções executivas “básicas” são:

- Atenção (seletiva, concentrada e difusa);

- Memória de trabalho;

- Controle inibitório (contenção dos impulsos);

- Auto regulação (inclusive emocional)

- Meta cognição (capacidade de raciocinar sobre o próprio conhecimento cognitivo).

Mas é muito importante ressaltarmos que o funcionamento executivo não está relacionado com a inteligência, você pode ter um aluno que tem um nível alto de inteligência e apresentar comprometimento para habilidades nas funções executivas.

Ou pode ter um aluno, sem nenhum problema em funções executivas, porém com um QI inferior ao que apresenta dificuldades em FE.

É importante reconhecer que as dificuldades das funções executivas não são preguiça. O aluno não faz sua lição de casa porque ele não consegue.

Muitas vezes, esse mesmo aluno, passa horas a cada noite tentando, mas não realiza a tarefa. Déficits de funcionamento executivo são reais e temos que trabalhar para resolvê-los e ensinar o aluno a ser mais capaz de ajudar a si mesmo para ser bem sucedido.
Existem algumas chaves das funções executivas das quais, pode-se entender e a partir daí, trabalhar melhor as estratégias.

Então, quando avaliar os déficits de uma pessoa, uma das principais perguntas que precisamos fazer é se é um déficit de motivação ou um déficit de habilidade.
Se for, motivação, geralmente o autista acha que a tarefa é mais difícil do que se apresenta e por isto se desmotiva.

Por exemplo, uma dificuldade diária de um autista é tomar banho. Esse é um problema muito comum entre autistas por uma variedade de razões, problemas sensoriais que o banho pode causar, tem também não reconhecer o impacto que não tomar banho tem sobre uma rotina por causa de seus déficits sociais, não saber encaixar o banho em sua rotina. 

E tudo isto o desmotiva! E precisamos ser os motivadores externos, e fazê-lo se sentir fresco e limpo.

Esta criança não é preguiçosa; ela não está motivada para superar problemas reais que tornam o banho difícil e sem sentido para ela.

Se é uma questão de motivação, precisamos aumentar o reforço para completar a tarefa usando a estratégia ou diminuir o esforço envolvido, apresentando etapas a serem feitas, e um estimulador, como no caso do banho, decorar o banheiro, oferecer brinquedos favoritos para levar junto, enfim, criar um momento onde ele se sinta atraído e recompensado.

Se é um déficit de habilidade, então nós temos que dividir a tarefa e ensinar os passos sistematicamente. Se um aluno tem dificuldade para fazer um trabalho a longo prazo porque ele não consegue organizar os passos e seguir adiante, então temos que ensiná-lo a adquirir essa habilidade.

Distribua as tarefas em etapas, por exemplo, se a tarefa é para daqui dois dias, dívida entre hoje e amanhã. Ou se a tarefa for para o mesmo dia, sugira fazer até tal momento e depois uma pausa, e assim quando terminar ele poderá descansar como recompensa.

O professor em sala de aula, pode adaptar o ambiente, e assim ele vai criando independências usando as adaptações e em seguida quando apropriado poderá até retirar as adaptações.

Temos que oferecer estratégias e não acomodações para que o autista adquira independência como os outros alunos e domine habilidades FE. Depois temos que ensiná-los a criar suas próprias estratégias de planejamento e organização. 

ESTRATÉGIAS PARA O PROFESSOR EM SALA DE AULA

·        + Ensinar como pedir ajuda
·        - Dar uma tarefa de cada vez
·         - Apontar as informações Importantes
·         - Usar Informação clara e direta
·         - Priorizar por impotência
·         - Criar cronogramas
·         Saber o que funciona com o aluno e como utilizar

Outras estratégias:

·         - Pense em um mural estratégico ou para toda a classe com ferramentas para organizar materiais, tarefas e tempo de cada atividade.

·         - Ter tempo para a reflexão em sala de aula ou atividades para que os alunos adivinhem quanto tempo cada atividade vai tomar.

·         - Escolher, a cada atividade, um aluno para cuidar do tempo. Ele fica com um temporizador e avisa quando acabar o tempo da atividade.

·         - Trabalhar com eles o uso de um calendário para que possam planejar seus deveres.
Brincar junto com o aluno autista, mesmo que ele já seja um adulto, faz toda a diferença. Pois a melhor estratégia de todas ainda é dar atenção, prestar atenção, sem tensão para criar uma conexão!





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